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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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Meus aniversários, comemorei vários
Anos são riscados dos meus calendários
E o seu rosto cada vez mais distante
Me diz que mais nada será como antes.

Vejo o sol brilhando no verde da grama
E o verde das folhas minha atenção chama
Tem verde na mata e verde nos abrolhos
Só não vejo mais o verde dos seus olhos.

Sinto tanta sede. Que dor é esta?
Não vejo mais verde na minha floresta
Pra ver de verdade o que interessa
Só fazendo o tempo voltar bem depressa.

Verde-menta, verde-lima, verde-mar
Me alimenta, me ensina a não pensar
Não espera a primavera verdejar
Olhos verdes que um dia foi meu par.Clicando aqui, você lê a letra de música completa
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Somente a última gaveta da dispensa ainda não fora averiguada. Nela, nada mais havia do que um saco de papéis. Padre Artelírio, então, iniciou a sua derradeira empreitada da exploração. Qual não foi a sua surpresa com o achado... Sui generis dobrado entre várias folhas sulfite, ímpar manuscrito no meio de numerosos datilografados, lá estava o bilhete que dera origem ao desfecho de sua vida!

A dona daquela caligrafia era uma moça que o padre nunca vira. Há exatos cinquenta e oito anos, recebera a folha de caderno. Tão precisas eram as palavras que a ele dúvidas não restaram. Óbvio era-lhe tratar-se de uma ordem divina que o direcionava ao caminho do seminário. "Coincidências não existem" - pensava ele - "muito menos quando a precisão milimétrica é característica em cada fragmento".

Entretanto os seus dias celibatários findavam e o homem santo necessitava lançar mão de uma retrospectiva, escrever a sua biografia, para que tudo fizesse sentido, como desejam todos os mortais dotados de consciência. E a pesquisa sempre é pré-requisito de quaisquer romances, muito mais quando o objeto relatado é uma vivência com tamanha devoção, fruto de conclusões espiritualistas cabais que culminaram na mais cristalina certeza da existência de Deus e de que a razão da sua estadia neste mundo era fazer a vontade deste Criador.Clicando aqui, você lê o conto completo
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– Você não vai perguntar o meu nome.

– Acho que não. Não quero estragar o momento. De repente o seu nome é Aparecida, Elza, Dolores ou qualquer coisa dessas anti-tesão.

– Não, pode ficar tranquilo. Tenho um nome comum, do tipo Rafaela, Patrícia, Viviane… coisa assim.

– Mesmo assim não seria bom. Depois de oito latinhas, eu preferiria que o seu nome fosse Tíffany, Natasha, Mel… algo dessa linha.

– Meu nome é Anne Gabrielle.

– Com dois enes e dois eles?

– Sim.

– Oba, esse é bom: nome duplo, ambos com letras duplicadas e terminando forçosamente com os excêntricos “Es” ao invés dos consuetudinários “As”. Perfeito.Clicando aqui, você lê o texto completo
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As aulas terminaram no mês de novembro. No dia vinte e nove, foi a última prova do quarto bimestre e, no dia trinta, a festa de despedida de mais um ano letivo com direito a amigo secreto. Nada que eu não tivesse vivenciado nos anos anteriores.

Em menos de um mês, viria a noite de comemoração na casa do meu avô materno e, no dia seguinte, o almoço na casa do meu avô paterno. A primeira, ao lado dos tios e primos próximos e, a segunda, junto aos parentes que só via uma vez por ano.

A expectativa para o décimo quarto natal de minha vida não era mais a mesma. Seis anos antes, este período era bem mais saboroso. Afinal, eu não era mais ingênuo e, há tempos, sabia que Papai Noel não existia.

Contudo, no dia vinte quatro do mês derradeiro, participei de mais um ritual pós-solstício de verão em família. Antecipadamente, lá pelas dez horas da noite – porque as crianças não aguentavam mais de sono – vi um dos meus tios disfarçado de velhinho com roupas vermelhas chegar balançando o sininho e gritando, pausadamente, a quarta vogal de nosso alfabeto.
(Trecho da crônica para rádio "O último natal de uma década")
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Vinte e um de dezembro de dois mil e doze. Em algum lugar de um universo paralelo, o mundo acabou. Tenho apenas uma mochila pra colocar nas costas e sair atrás de um local habitável. Quais pertences meus levarei?

Nenhuma Coca-Cola na geladeira? Nenhum cigarro em cima da escrivaninha? Isto é realmente o fim do mundo, no sentido figurado e no sentido literal.

Já que não tenho estes principais itens pra botar na minha velha bolsa, lembro-me que nela não pode faltar o macaquinho Chico, meu brinquedo preferido de infância, que ganhei quando tinha três aninhos.

Encardido e com um nó cego no rabo, que nunca mais consegui desatar, ele foi o meu companheirinho de todas as horas. Foi ele quem me consolou nos instantes mais difíceis da adolescência, quando namoros foram terminados e paixões, perdidas.
(Trecho da crônica para rádio "O fim do mundo")
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Usamos máscaras, todavia, na hipótese de tirarmos este traje pesado, composto por várias camadas de armaduras de aço, fica só o nosso espírito nu e friorento, com olhinhos de gatinho assustado, no meio do asfalto, implorando, desesperadamente, por colo e afago.

Aqueles desfiles de soldados e mísseis só enganavam quem queria ser enganado. Em seguida, descobriu-se que muitos dos projéteis eram ocos, simples adornos de carnaval pra meter medo no imperador da outra facção do globo terrestre. E, ainda que não fossem, a mim, não tapeiam mais. Já quis ser ludibriado o bastante...

URSS e USA eram dois bêbados, no boteco, gritando pra ver quem era mais macho. Precisava-se de uma mentira pra ter razão pra viver.

Um dia, tomei uma atitude de homem e deixei de ter falsas certezas. E, como todas as convicções são ilusórias, não tenho mais convencimento algum.
(Trecho da crônica "No alto do rochedo, eu me esvaí com o vento")
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