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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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Eu estava assustado. Profundamente assustado. Calma, Marcelo, o Universo é sábio. Não é à toa que você está com esta revista Caras molhando embaixo do seu sovaco suado.
– Moça, você quer trocar o livro da sua irmã por esta revista?
Ela franziu a testa e pareceu ter experimentado uma metamorfose, transfigurando-se num bagulho mais esquisito do que o Steven Tyler, o vocalista do Aerosmith. Suponho que, no planeta dela, era o modo usual de manifestar contentamento.
Desta feita, a prima bonita do E. T. gritou:
– SIM!
Quem é da Geração X, assim como eu, levanta a mão! Vocês, com certeza, recordam-se do programa Domingo no Parque, do Silvio Santos. Sabe aquele quadro em que as crianças ficavam dentro de um foguetinho, ouvindo música?
O Silvio Santos perguntava se o menino queria trocar a bicicleta por um chiclete de jiló mastigado e o menino gritava: “SIM!".
Foi exatamente desse jeito que ela gritou quando eu a questionei sobre a troca do livro pela revista: “SIM!”.
Soltei a revista no ar e entreguei-a aos caprichos da Lei de Newton. Chocado, recuei pisando três vezes pra trás e saí do edifício a passos largos, andando ligeiro, quase correndo.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
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O fim de semana seguinte veio e o cérebro dele estava prestes a explodir. Foi esfriar os ânimos dando uma volta pelas ruas convizinhas. Chegou ao Parque Nacional de Fiordland com o propósito de percorrer uma trilha. Cruzando um atalho que dava ingresso à rota Kepler Track, vislumbrou, à sombra de uma árvore Kauri Tree, quatro adolescentes que se entretinham com o que aparentava ser um baralho.

"Como será que se grita 'seis, ladrão!' neste país?" – borboleteou com os lábios repuxados de forma zombeteira, enquanto se aproximava da turma de rapazes. Alcançando a agremiação de moleques espinhudos, ouviu o mais moço e desengonçado dentre os mancebos vangloriar-se de que formara uma sequência que lhe conferia a vitória na disputa.

– Eu tenho uma pistola de enxofre defumadora de selenitas mauricinhos – carta onze! – uma cratera de impacto para emergências escatológicas – carta trinta e nove! – e um soldado bravo índio cacique Ave-kiwi-que-choca-ovo-de-pintassilgo! – carta número cinco, seu marreco! Ganhei!

Ficou paralisado. Era comum para ele ver pessoas festejando com o seu trabalho erudito, mas, desta feita, tratava-se do escárnio mais sério que ele presenciara em sua vida. O autor do brinquedo teve um insight!Clicando aqui, você lê o conto completo
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Os sapientes telespectadores do doutor João Kleber, quando desfrutam a erudição de seus espontâneos e nada combinados “testes de fidelidade”, estão cientes que o “Para! Para! Para!” exclamado com estridência pelo eminente comunicador (sem intenção nenhuma de embromar para segurar a audiência, toda vez que a mulher do corno ameaça tirar a roupa para o Ricardão) não tem mais acento. Acentos são economizados pelas prodigiosas mentes dos telespectadores do João Kleber, com alto poder imaginativo, que visualizam a grafia correta de todas as palavras ditas oralmente pela sumidade que apresenta programas de TV para intelectuais.

Se você for um cidadão ocupado e hiperativo, sem tempo para encaixar o hábito da leitura na sua lista de afazeres, e estiver aproveitando um sinal vermelho de trânsito para ler esta crônica, caso perca a concentração e bata o seu carrinho, vai amassar o seu para-choque (sem acento). O “para” que compõe essa palavra composta é oriundo do verbo parar, pois o utilitário que possui a função de proteger a sua caranga e evitar maiores danos provocados por um sinistro para (do verbo parar) o choque de uma batida. Antes da última reforma ortográfica, você acentuava o dito cujo e amassava o seu pára-choque (com acento agudo no primeiro A).Clicando aqui, você lê o texto completo
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Sugestionado pelo poeta que o escrevera, o governante cedeu ao seu ímpeto emocional e decidiu não expurgar uma economia intemperada que abalroaria os desvalidos. O texto disposto em versos fê-lo remeter-se a seu modesto exórdio, recordando a intrepidez laboral de seus progenitores para proverem o seu sustento e o de seus irmãos.

Como se fosse remetido a semotos espirais nebulosos que pairam no cosmo, o político pôde presenciar o seu pai, um vigia noturno, em pleno sereno, batendo, ferrenhamente, os pés, no cimento álgido, com o fim de aquecer-se. Foram elocuções que forjaram um estopim. Embora contrariando os interesses obscuros dos possessores, não inflacionou os tributos que incidiam nos principais itens sazonais de inverno da cesta básica. Os módicos desjejuns matinais, sob o viço do orvalho, continuariam regados a cafés com leite quentinhos.
(Trecho do texto "O vestígio de vento que soprou na contrição")
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– Fez tatuagem nos últimos doze meses?

– Não.

– E essa tatuagem no seu peito, que dá pra ver pela gola V da sua camiseta?

– Fiz há 17 anos. Está bom para a senhora?

– Esteve resfriado nos últimos sete dias?

– Não.

– Mas eu ouvi você espirrando no corredor.

– É que eu tenho alergia a chatos. E não é nada com a senhora. É uma autoalergia.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
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Ao viajar para Rotorua, conheceu um Marae – casa sagrada dos maoris – na qual um senhor chamado Akahata, chefe da tribo, recebeu-o com honras, mostrando-lhe gratidão pela carta número vinte e seis do jogo, que retratava um conquistador lunar de origem maori, que lutava naquele astro. Akahata ofereceu um moko – tatuagem maori – a ele, que seria delineado em seu rosto. Um privilégio para ele, já que os mokos são símbolos de status naquela cultura – quanto mais conquistas o indivíduo reunia, mais a sua pele era circunscrita com os adornos – e o estrangeiro teve de mandar um "Não, obrigado!" ao simpático nativo, com o devido cuidado para não ofendê-lo.

O silvícola, por seu turno, não se melindrou e, para provar que estava tudo certo entre eles, esbugalhou os olhos até expor os nervos ópticos e colocou a língua para fora, tocando a covinha do queixo com a sua ponta, e dançou o Haka para o estrangeiro, que sorriu.Clicando aqui, você lê o conto completo