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Biscoito da Sorte
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Chegou, enfim, à reunião no estúdio. O diretor estava munido com os dois escritos: o dele e o do ser estranho que por lá aparecera. Após ambos serem elogiados, a decisão foi comunicada: o escolhido foi Ethan.

– Você é hábil com as letras, mas a linguagem de Ethan tem vitalidade.

Derrotado, pegou o seu automotor no estacionamento. Observou que uma das rodas traseira do veículo vizinho era discrepante se comparada às outras três. Era de um jipe russo, que, por seu turno, era idêntica a uma das suas, que também destoava das demais de seu carro. Regressou, pois, à sua aldeia, após percorrer os mesmos mil e duzentos quilômetros da ida.

Transcorridos onze meses, pelo jornal, teve acesso à notícia do lançamento do filme. A sinopse era sobre um octogenário em uma rodovia que ajudava o protagonista desprevenido. Dando o braço a torcer, aceitou que o script de Ethan era mais vívido por razões óbvias: a história era verdadeira e pulsava.

Relacionava-se bem com as suas frustrações, mas elas se tornavam indigestas se ele não conseguia perdoar-se. Atordoado, viveu o "déjà vu" de um manicômio. Contudo, nele, lecionava-se dramaturgia. Participou de todas as aulas e divertiu-se entretendo os seus colegas. Um sorriso no seu rosto trouxe à tona as recordações de suas fantasias de criança.Clicando aqui, você lê o texto completo
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Depois de horas de palestra, fomos postos em fila, que terminava numa espécie de biombo. Atrás do tapume, teríamos a revelação sobre quem seria essa pessoa. Quem estaria lá? Nossos progenitores? Nossa paixão de infância que riu da nossa cara quando revelamos o nosso amor? O grandalhão que não nos deixava sair à rua, quando crianças? O examinador que corrigiu a nossa prova, quando prestamos vestibular pela primeira vez? O colega de trabalho que ficou com o cargo que almejávamos, logo no início da nossa carreira?

Não, nenhum deles estava lá. Esses, que vieram à nossa imaginação, estavam muito longe dali e, muitos deles, provavelmente, sequer lembravam-se da nossa existência ou, quem sabe, nem estivessem mais nesse plano físico carnal, apesar de continuarem a figurar como vilões no sistema de defesa que criamos para conjecturar que o culpado são os outros. Sim, porque há uma tendência natural do ser humano de acreditar que o mérito dos sucessos é nosso e o dos insucessos é alheio.Clicando aqui, você lê o texto completo
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E também acho que lá não havia mais nenhum poeta além de mim. E, como sui generis representante da arte de escrever em versos e enxergar o mundo de forma romântica, examinei-os como se fossem as quatro estações do ano: a euforia da juventude (primavera), a luz da madureza da meia idade (verão), a serenidade de um sexagenário (outono) e a sabedoria da longevidade (inverno), período em que o calor da emoção dá vez ao gélido raciocínio, isento da calidez empolgada na defesa de pontos de vistas parciais.
Trecho do texto "As quatro estações e a vida"
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A Lua... ele adorava a Lua! Precocemente, leu Júlio Verne. Sua paixão era tamanha que ele acreditava irem as almas boas morar em seus furinhos. E com a luneta que ganhou do Papai Noel, aos oito anos de idade, em mil novecentos e oitenta e cinco, contemplou-a por muitas noites da segunda metade daquela finada década.

Entretanto, o instrumento científico apenas satisfez a sua filia poética, que era vasta, porém, não única. A criatividade dos joguetes engenhosos era irmã da arte de sonhar por intermédio dos versos.

E os disquinhos coloridos de estorinhas da Disney que soavam pelo autofalante da sua vitrolinha Philips amarela eram tão somente um tipo de aperitivo do mundo das peripécias emocionantes que exclusivamente divertiam e instigavam, mas – ele tinha lucidez – restringir-se a elas fazia o tira-gosto, sinônimo de aperitivo, de fato, ser concebido ao pé da letra, pois tirava o gosto fantástico dos estímulos geniais particulares, para o jovem, bem mais recreativos.

E, numa hora média de uma manhã de outono, durante o intervalo das aulas, caminhando pela zona proibida do amplo pátio do colégio em que estudava, avistou um terreno anexo à retaguarda da edificação.Clicando aqui, você lê o conto completo
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Quando a dona Hermengarda saía, às seis horas da matina, pra abrir a sua quitanda cheia de ratos, eu pulava o muro daquela velha casa e ia ao encontro da feiosa Bartira.

Todos os dias, eu a encontrava chorando, lamentando-se por ser a menina mais feia do bairro. Dava um trabalhão consolar a Bartira. Isto me custava, no mínimo, uns trinta minutos de preliminares até a Bartira ceder.

– Não chora, Bartira, você é linda por dentro. Tão maravilhosa quanto o seu nome. Se os homens não veem a sua beleza, o problema está neles e não em você.

Era uma lábia bem fraquinha, mas, com a Bartira funcionava. Ela parava de chorar e eu mandava brasa. Fazer o quê? Era o que tinha pro rango. Melhor do que ficar no cinco contra um... Come-se por amor à pátria. Taca-se uma bandeira do Brasil na cara e… ueba!Clicando aqui, você ouve a crônica
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E, como prometi pra mim mesmo, não mais reservaria à vulva um lugar no auge das minhas cobiças. Portanto, não poderia fazer um sacrifício tão grande assim por uma.

– Moça, este estabelecimento tem muita sorte por tê-la como vendedora devido à sua suprema sapiência, mas não vou mais querer o livro. Muito obrigado.

Parafraseando Raul Seixas, saí pela tangente, disfarçando uma possível estupidez. Ao retirar-me do recinto, observei que a sumidade abandonara, em cima do balcão, uma revista Caras. De maneira evidente, era um objeto pessoal dela, pois a loja não comercializava esses excrementos.

Contudo, lembrei-me de que não havia feito ainda a minha boa ação do dia, então surrupiei aquele exemplar erudito com o intuito de fazer um favor pra beldade. Senti-me como se estivesse tirando um doce de um diabético ou uma arma de perto de um suicida. Enrolei a réstia e envolvi-a em minha axila esquerda. Aí sim, logrei êxito em sair satisfeito daquele prédio comercial, que estava precisando tomar um pouquinho mais de cuidado nas entrevistas de contratação de seus funcionários.
(Trecho da crônica para rádio "Sexo ou livro? Eis a questão...")
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