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Biscoito da Sorte
Aceita um biscoito da sorte? É só clicar e descobrir a surpresa que tem dentro dele pra você!
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– Que livro é esse aí na sua mão?

– O Segredo.

– Ah, esse aí que é aquele livro que promete sucesso e dinheiro para pessoas fracassadas?

– Cada um olha as coisas pelo ângulo pelo qual lhe é mais familiar…

– Você conhece alguém que ficou rico lendo esse negócio aí?

– De certo modo, sim.

– Ah, então ele guardou muito bem esse segredo, não é?

Meu Deus, esse homem deve sofrer, parcialmente, de paralisia facial. Ele só sorri com um dos cantos da boca… – pensei.

– Senhor taxista, pode dar-me um cartão seu? Quero sempre usufruir dos préstimos de um profissional bem sucedido.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação gráfica
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Duas gotinhas de Pinho Sol despejadas no vaso sanitário resolvem o problema. De dez em dez xixis, ela permite que se dê a tão sonhada descarga. Mas toda vez, não. De jeito nenhum! Cocô tudo bem, mas xixi não.

O filho mais novo da dona Bernardina questionou:

– Mãe, não é melhor só deixar de dar a descarga, se o xixi sair branquinho, e dar a descarga, se o xixi sair amarelinho?

Mas a dona Bernardina é dura na queda:

– Cala a boca, moleque. Não é você quem paga "as conta" (sic).
(Trecho da crônica para rádio "Dona Bernardina não quer dar descarga")
Clicando aqui, você ouve a crônica
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Naquela quinta-feira, cheguei quarenta minutos mais cedo ao trabalho e passei na padaria pra tomar café da manhã. Pedi uma média com leite e um croissant, liguei o meu notebook e comecei a escrever.

Estava concentrado, mas não pude deixar de prestar atenção no diálogo da mesa vizinha. Nela, dois advogados aguardavam o início das atividades forenses. Conversavam sobre uma ação de rito ordinário em trâmite na vigésima oitava vara cível. Era um processo de indenização por danos morais.

Os rábulas, enquanto cuspiam jargões advocatícios pros quatro cantos daquela panificadora secular, fundada em 1872, faziam questão de mirar de soslaio os três candangos ignorantes que passavam a constituir público estupefato, e enfatizavam palavras estranhas ao vocábulo dos matutos.

O chicaneirinho mais moço – e mais empolgado também – repetiu as expressões “embargos infringentes” e “mandado de injunção” uma meia dezena de vezes fora do contexto, haja vista que se tratava de uma açãozinha corriqueira de primeira instância. Mas, pros que querem saborear a convenção social que denomina doutores os meros graduados, sem precisar fazer o sacrifício de cursar medicina, aquele posicionamento arrogante é um deleite.Clicando aqui, você assiste ao vídeo com animação digital
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Como é que o sol pode brilhar

Como é que existe vida na terra

Se eu não tenho você pra me amar.

E o vento forte de ódio berra.Clicando aqui, você lê a letra de música completa
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Está certo que, cinco anos antes, em 1980, quando eu contava apenas três aninhos, havia ganho um brinquedo Mini Cine da Estrela, num concurso infantil de fim de ano no qual fora proposto que delineássemos ilustrações natalinas. Nesta ocasião, o meu trabalho ficou longe das melhores classificações, cabendo a mim somente esta prenda destinada a candidatinhos medianos. Entretanto, eu ganhei enquanto aos priminhos meus que se expressavam bem com canetinhas coloridas coube, como brinde, um desenxabido cinto, digo, sinto... sinto muito.

Um quinquênio escoado, esta lembrança nada me motivava. Apesar da pouca idade, tinha eu plena consciência de que só ganhara porque os avaliadores acharam bonitinho um menininho tão pequerrucho colar algodão para perfazer a barba branca do bom velhinho. Sabia que o prêmio não fora nenhum mérito decorrente de algum dom passível de repetir-se em outras circunstâncias da minha vida. Afinal, de modo cruel, descobrimos que, quanto mais crescemos, mais ficamos sem graça aos olhos dos adultos e, o que era gracioso e divertido, torna-se banal.Clicando aqui, você lê o texto completo
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E, então, a guitarra de Slash e a voz de Axl Rose preencheram o espaço interno do carro no momento em que o sol refletia no para-brisas. O silêncio era relegado à época em que uma árvore caía no meio da mata e Uriah questionava-se se houvera estrondo, dado que não existia ninguém na floresta pra ouvi-lo. Agora, todos ouviam! Bastou o alerta do cineasta Yanni Ygor pra que os olhos e os ouvidos voltassem-se a Uriah.

Mas "Sweet Child O' Mine" deixou, bruscamente, de ser emanada aos quatro ventos. Foi um pedaço de arame farpado que fez o veículo parar. Coito interrompido. O mesmo mormaço que dava a nuance do regozijo passou a ser nada mais que um maldito calor infernal e o "pen drive" que continha a gravação da saudosa fita cassete de sua adolescência fora reduzido a um emissor de ruídos.

Ao trocar o pneu, devaneou acerca do epílogo que escrevera pro seu longa-metragem: Gamaliel, o personagem principal, acabou recluso numa clínica psiquiátrica, sonhando em como poderia ter sido diferente, se não tivesse ficado tão obsessivo pela consumação de sua vontade. O fim era triste porque Uriah cria saber como emocionar e porque os espectadores gostam de encontrar conforto na desgraça alheia e poesia nos infortúnios da própria vida insossa, projetando-a nos entes fictícios de uma tela de cinema.Clicando aqui, você lê o conto completo